A Casa que tem qualquer coisa de estranho e de atraente... A estranheza da sua moldura de muralhas, o atractivo da solidão e do silêncio.

Pierre Goemaere (1944)

A Residência

“Sobre um zimbório grego de mármore, sustentado por delicadas colunas jónicas, um cupido alado arma arco e flecha; na margem daquele canteiro do fundo, uma tricana de pedra leva a sua bilha à cabeça. (…) Aproximamo-nos desta casa que ainda não nos tínhamos atrevido a olhar de perto…” (Pierre Goemaere).

É claramente numa aproximação ao núcleo habitacional, ao espaço doméstico, que é possível questionar a vivência do patrono, unir materialidade e imaginário, reconstruir um tempo social. É sobretudo aqui que se anseia resgatar a memória da Casa e, através dos seus testemunhos, cruzar referências entre o homem público e o homem privado que a habitou, entre o indivíduo e o seu tempo.

Projetada pelo arquitecto Fiel Viterbo, a construção desta ampla residência foi iniciada em 1923 e concluída em 1925. Construída em dois pisos, num estilo ecléctico com acentuadas sugestões do barroco joanino português, é coroada por um largo e muito belo torreão octogonal, elegantemente fenestrado. O conjunto da casa e jardim reflecte o gosto e a sensibilidade artística do proprietário, expressivamente marcados pelos trabalhos artísticos que a embelezam e adornam, por si encomendados às oficinas de reputados artífices e artistas da região.